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Certo e errado: a construção da ética no mundo consumista



          O ser humano é dotado de razão. É dotado do discernimento do que é certo e errado. Errado! 
          O ser humano e sua razão não determinam o que é certo ou errado. O maniqueísmo carrega uma intensa subjetividade. As ações humanas são realizadas dentro de algumas premissas, que por sua vez são construídas de acordo com o meio cultural/social. Enquanto simples animais que somos, as premissas primordiais que regem nossa razão são a sobrevivência e reprodução. Enquanto animais com algo a mais, ou seja, racionais, essas premissas são o prazer, a felicidade, bens materiais, conforto e socialização. Porém como a sobrevivência e reprodução são também direcionadas pela razão nos limitamos às premissas racionais, pois essas podem unir-se às premissas racionais, ou seja, a felicidade, o prazer, o conforto, etc. tornam quesitos de sobrevivência.
          A subjetividade, ou mesmo relatividade da noção de certo e errado também deve levar em conta seu caráter cultural. Então mais uma vez limitamos a abordagem. A cultura de consumo à qual estamos inseridos. Ou seja, se a noção de certo e errado é construída pelo contexto, determinada pelas condições sócio/culturais, tal contexto é a cultura de consumo. Os padrões de educação, de formação cultural, política, social, pessoal e emocional existem em prol da cultura de consumo. Tal noção caracteriza e responsabiliza todas as ações do indivíduo ao longo de sua vida. Ações sociais ou individuais. Dentro da família. Na escola. Entre amigos e em todas as suas relações humanas. 
         Como é a noção de certo e errado
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         Na sociedade de consumo, a lógica sociocultural de vida coletiva perde o sentido, dando lugar ao individualismo consumista, narcisista e hedonista.
 Viver pela coletividade deixa de gerar satisfação, pois compreende “abrir mão”, dividir, compartilhar. Compartilhar é algo contrário à lógica consumista, pois quando se compartilha se consome menos. Beleza e prazer são produtos, que são traduzidos como felicidade, portanto felicidade é um produto. Portanto é possível se comprar a felicidade.
         Contudo a noção de certo e errado é permeada e sustentada pelos padrões de comportamento da sociedade de consumo. Tudo aquilo que traz “felicidade” está certo. E tudo aquilo que afasta ou diminui tal “felicidade” está errado. A busca pelo poder de consumo é a prioridade da educação atual. Altos salários, portanto alto poder de consumo. A felicidade do “sonho americano”. 
         O indivíduo que não se encaixa nesses padrões de comportamento, que não expressa e reproduz tal noção de certo e errado, está na contra mão da sociedade. Está errado. Excluído até que se torne um explorado ou criminoso. Sempre errado, frustrado e infeliz.  A construção desta concepção é estruturada pelo processo educacional. Padrões de comportamento e de estética são desde cedo construídos naturalmente na criança. A família, a professora, a TV, os amigos e tudo aquilo que faz parte do processo cognitivo do aluno são produtos da sociedade de consumo. 
         Assim ficamos sem solução? Absolutamente não.
         É justamente o principal fator de reprodução do sistema a arma contra ele mesmo: a educação. Pela educação o processo pode ser invertido.
         A construção do ser pela educação é tão ou mais sólida do que qualquer outra, inclusive a familiar. Basta o agente educacional ter consciência dessa questão e realizar um trabalho inverso.
         Se assim for, o indivíduo inicia sua vida social reproduzindo uma lógica diferente em suas ações sociais, se tornando também um agente transformador. Criar no indivíduo um filtro intelectual, em que por si só, ele selecione aquilo que queira absorver em sua formação pessoal. Promover uma sensibilidade social em que o indivíduo não tenha como algo normal a miséria, a violência, o preconceitos, as desigualdades.
          É preciso desenvolver novos métodos, novos materiais, dar novos focos à formação de base do aluno. É preciso reconstruir valores sociais que promovam a austeridade e o coletivismo. As repercussões dessas transformações seriam imensas. Valores familiares, ambientais, sociais, hábitos de consumo, padrões de beleza, conceito de felicidade, seriam gradativamente invertidos. Através de uma educação humanista. A noção de certo e errado seria também um pouco mais humanista e não consumista.

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