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Vai um elogio aí?

"Sejamos como o sol que não visa nenhuma recompensa, nenhum elogio,
não espera lucros nem fama, simplesmente brilha!"
(Autor desconhecido)

           Muitas famílias têm transformado a educação de seus filhos em um grande “Mercado de barganha”. Vale “quase” tudo para conseguir que as crianças obedeçam, se esforcem e cumpram com suas obrigações: oferecem presentes, prometem passeios, aumento da mesada e, principalmente, fazem elogios. Muitos elogios (que podem vir com ou sem oferendas. Com oferendas o elogio vale mais, é claro!).
           Neste processo vicioso elogio virou moeda de troca. O filho fez um desenho? “Vale” um elogio! Fez a lição, arrumou a cama, tirou nota boa, tomou banho no horário determinado? “Vale” mais, muito mais elogios!
          Tudo o que as crianças fazem virou motivo para elogiá-las. Os pais creem que desta forma o elogio irá ajudar seus “pequenos” enfrentarem as novas demandas do mundo. Neste raciocínio equivocado concluem: o elogio é um agente promissor para o bom desenvolvimento e crescimento infantil...
           Ledo engano! Nos últimos anos, vários autores têm recomendado que os pais evitem os elogios tanto quanto as críticas. Eles vêm no elogio um modo de manipulação do comportamento dos filhos - mais sutil que a bronca e a crítica, mas tão nocivo quanto!
           Certamente, cansamos de ver pais usarem mal o elogio. Mas também presenciamos alguns usarem o elogio de modo sincero, saudável e em quantidade necessária.
           Por isso penso que evitar totalmente o elogio é uma atitude precipitada. Devemos nos abster de elogios artificiais e nocivos, mas existe um tipo de elogio autêntico que dá aos nossos filhos aquilo de que eles mais necessitam: um estímulo amoroso e verdadeiro.
           Mas, qual a principal diferença entre o “elogio sincero” e o “elogio artificial”? Não há dúvida que uma das palavras que mais se aproxima do elogio é a... intencionalidade. Querem ver?
           No "elogio artificial" as palavras são usadas com a intenção deliberada de reforçar um determinado comportamento e atingir um objetivo - que é dos pais e não necessariamente da criança.
           - "Filhinha, diga obrigada à senhora que lhe deu o doce” (após o comportamento desejado):
           - “Que gracinha de menina!"
           Ora, qual o nosso propósito neste caso específico? Estamos simplesmente expressando a nossa alegria naquele momento ou querendo “treinar” a criança oferecendo uma aprovação estudada?
            É evidente que se oferecemos nosso amor e aprovação às crianças quando elas são "boazinhas" e negamos o amor quando elas são "ruins", estamos abusando de nosso poder sobre elas. E passando a mesma mensagem nociva do castigo: a criança só é amada sob a condição de fazer aquilo que consideramos certo.
            É obrigação dos pais evitar esse tipo de manipulação. Mas, ao fugirmos desta cilada podemos incorrer em outro erro. Tentando esquivar desta manobra ambígua podemos privar nossos filhos do prazer de receberem “declarações positivas” e perdermos a chance de estabelecer, com eles, uma relação verdadeira e harmoniosa onde a criança recebe elogios genuínos e estimuladores.
            Então, é importante aproximarmos mais uma “palavrinha” - além da intencionalidade - ao elogio. Esta palavra é quantidade. O elogio não deve ser nem muito nem pouco, mas no “ponto” necessário...
            Na verdade, elogiar em demasia - e é isso o que tem acontecido - atrapalha tanto quanto a intenção. Por quê?
             Primeiro porque o elogio está sempre ligado a algum resultado: um comportamento, uma aprendizagem ou a finalização de alguma atividade. O elogio é a apreciação favorável de um produto considerado bom. Só que, para alcançar tal resultado, a criança precisa realizar um processo que exija esforço e/ou persistência. Para seu amadurecimento, isso é o que importa! Do jeito que as coisas andam hoje em dia, as crianças têm recebido elogios por coisas que não exigem esforço algum...
             Além disso, do modo como o elogio tem sido usado, todo processo é ignorado em nome do resultado. A criança aprende, assim, que o importante é acertar e não aprender. E isso não pode ser uma boa coisa! Afinal, para aprender, é preciso reconhecer a ignorância e correr o risco de errar. Quem visa o elogio não quer correr tal risco...
             Depois, o elogio muito frequente torna a criança quase dependente da aprovação dos pais e/ou do outro - exercício extremamente nocivo, pois impede que ela se veja, se autoavalie e reconheça o valor do que faz.
             Finalmente, o elogio não é da ordem do afeto - eixo fundamental da educação familiar. É para garantir o amor dos pais que a criança se deixa educar. Portanto, muito mais efetivo para a criança é receber um beijo, ganhar um afago e perceber, com clareza, o quanto os pais estão orgulhosos - ou não - de seus atos. Estas são as verdadeiras manifestações de afeto que, além de solidificarem as relações amorosas, também funcionam como excelentes recursos educativos. Deixar os elogios para situações especiais só valoriza o seu uso.

"Que haverá de mais tolo do que elogiar num
homem coisas que ele não possui?"
(Sêneca)


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