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Pequenos, mas autonômos

Criança autônoma é responsável e capaz de tomar decisões. Entenda o conceito e o papel do professor para que seus alunos conquistem a autonomia.


Escovar os dentes sozinha, amarrar os cadarços e outros procedimentos de rotina mostram que uma criança é independente, mas não necessariamente autônoma. Isso porque a autonomia vai além da independência: uma criança autônoma é capaz de escolher e tomar decisões relativas a seu mundo e a sua faixa etária tendo em vista as responsabilidades e consequências que tal decisão pode ocasionar.

De acordo com Maria Irene Maluf, especialista em Psicopedagogia e em Educação Especial e editora da revista Psicopedagogia da Associação Brasileira de Psicopedagogia, trata-se de uma pessoa capaz de, sem supervisão, manter os mesmos comportamentos que teria se estivesse sob a supervisão de um adulto. “Isso está relacionado a um nível normal de inteligência, a boa formação de valores e, em grande parte, ao modelo social em que ela está inserida.

Se está em um modelo social que privilegia a dependência, no qual as pessoas são mais valorizadas, terá mais dificuldade de se tornar uma pessoa autônoma, que pensa por si e age conforme tais valores mesmo quando longe de sua família e seu grupo social”, explica Irene,que é também professora convidada do Instituto Sedes Sapientiae e coordenadora em São Paulo do curso de especialização em Neuropedagogia do Instituto Saber.

Ela lembra que só a partir das duas últimas décadas do século XX as escolas adotaram os processos que levam ao desenvolvimento da autonomia. A visão é compartilhada por Edimara de Lima, diretora pedagógica da Prima Escola Montessori de São Paulo, que cita o modelo de submissão e obediência apregoado pelas escolas de outrora. E, mesmo em um momento em que esses conceitos já estão ultrpassados, Edimara ressalta a dicotomia entre discurso e prática. “Nos cursos que ministro, nunca encontrei um planejamento inadequado, mais encontrei diversas execuções inadequadas de planejamento”, conta Edimara, comparando o que se verifica na teoria e na prática.


Família e escola unidas


“Seu filho leva à escola o que aprendeu em casa.” Esses eram os dizeres de um cartaz que marcou Irene em um dos congressos de que participou. Por isso, ela recomenda que pais e escola passem às crianças, desde muito cedo, modelos concisos de valores, como ética e moral, e limites, mostrando a elas a responsabilidade que devem ter por seus atos.

Também é importante fazer com que esses aprendizados tenham peso na vida da criança, de modo que o que ocorre hoje seja coerente com o que ocorreu no dia anterior, e de que a conduta da escola em relação a um assunto seja coerente com a postura da família.

“Ao professor cabe a manutenção do modelo de responsabilidade, de como agir, ou seja, da consciência de que determinado comportamento levará à determinada consequência. Assim o professor moralmente responsável e conciso leva para a sala de aula uma preocupação com o modelo que está transmitindo.”


Postura do adulto


Seja em casa ou na escola, O caminho não é castigar a falta de obediência, mas propor à criança reflexão, diálogo e a possibilidade de que ela mesma perceba onde está o seu erro. Tendo novas oportunidades de agir, ela poderá demonstrar progressos no desenvolvimento de sua autonomia. Tampouco a prática da compensação oferece bons resultados, como observa Irene, pois não leva ao desejo próprio do indivíduo de mudar uma situação.

“É preciso colocar pequenas metas, as quais a criança tenha condições de agir, e, cada vez que ela atingir, deve-se pôr essas metas um pouco mais adiante. Porque não é do dia para a noite que se aprende autonomia”, analisa. Tudo isso, segundo a psicopedagoga, pode ser transmitido ao aluno a partir de sua própria realidade, como por meio de jogos, brincadeiras, filmes e diversos outros recursos.

Em um jogo, por exemplo, o aluno precisa seguir as regras, esperar sua vez de jogar, respeitar o outro, entender as dificuldades do outro e desenvolver noções que permitam a ele interagir melhor com o contexto que o cerca.


Colocando em prática

Como resume Edimara, autonomia se aprende na prática – com tomadas de decisões – , e não com discurso. Seguindo essa premissa, a Montessori transfere certas responsabilidades do professor para a criança, com o objetivo de incentivar a escolha e desenvolver a autonomia de seus alunos. Conheça algumas:

Ida ao banheiro
Na Montessori, quando um aluno quer ir ao banheiro, não precisa pedir ao professor. Basta pegar o crachá, que é chamado de “licença” e indica que vai ao banheiro, e sair. ” Com isso , exerce sua independência de procedimento, mas também decide se naquele momento vai ao banheiro ou não, o que entra no nível da autonomia”, exemplifica Edimara.

Hora do lanche
O horário do lanche, fornecido pela escola, também envolve a tomada de decisões. “A criança precisa escolher se quer comer banana ou uva, ou se quer comer os dois. Ou escolhe se no pão, vai querer geléia ou ricota. “O conselho de Edimara é que o professor sempre oferece duas opções ao aluno. “São situações em que, mesmo dentro de uma sala de aula convencional, pode-se oferecer a possibilidade de escolha”, complementa Edimara. E, seja qual for a escolha, o que há por trás dela é a valorização da independência e a formação de crianças autônomas.

Fonte: Erika Nakahara
Foto: Shutterstock

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